Dispara…
Dispare teu tiro no riso da paz
Mas depois não reclama do peso que traz
Tua alma manchada, bandeira no chão
Quem te deu de comer… foi tua própria nação
Cê troca respeito por ego inflado
Vende a verdade num prato envenenado
Se perde no brilho, no falso poder
Mas esquece que tudo isso vai te cobrar depois
Favela não dorme, só fecha o olho
Carrega no peito cicatriz e orgulho
Aqui cada passo é sobrevivência
E cada silêncio… grita resistência
E o tempo não para, ele chama pra dançar
Quem entende o compasso aprende a jogar
Não é sobre sorte… é visão de quem vê
O mundo girando… e não deixa de ser
A favela é livre, ninguém vai calar
O livro é o mundo que ensina a enxergar
Viver é seguir no baile do tempo
Quem vê a jogada já nasce no vento
A favela é livre, pode acreditar
O livro é a chave pra se libertar
A sorte não bate na porta de quem
Não abre os olhos pra vida também
Cresci vendo sonho virar estatística
Mas também vi fé virar força artística
Da lama nasce verso, do caos, poesia
Do dendê nasce o mar… da dor, rebeldia
Não é só discurso bonito na rima
É sangue, é suor, é verdade que ensina
Quem veio de baixo não esquece raiz
Mesmo quando o topo tenta seduzir
Teu tiro pode até fazer barulho
Mas não cala quem carrega orgulho
Porque quem lê o mundo antes de agir
Transforma a queda em motivo pra subir
Segue…
Mesmo quando ninguém acreditar
Vê…
O que poucos conseguem enxergar
A favela é livre, ninguém vai calar
O livro é o mundo que ensina a enxergar
Viver é seguir no baile do tempo
Quem vê a jogada já nasce no vento
A sorte…
É pra quem vê antes de acontecer.
Robson POETA