Nasci na beira da noite
Com a lua riscando o cais
Meu passo acende farol
No peito dos vendavais
Carrego ouro e ferrugem
Corrente, espuma e suor
Quem teme a voz da maré
Nunca entende o amor
Eu vejo barco perdido
Vejo homem pedir perdão
Vejo sereia cantando
No fundo da escuridão
Minha gargalhada corta
O silêncio do temporal
Sou rua molhada de porto
Sou mistério espiritual
Ê marinheiro…
Não desafia o oceano não
Que toda onda que quebra
Também quebra ilusão
Ê lua cheia…
Clareia meu caminho no sal
Quando Exu dança na areia
Treze ventos fazem ritual
Laroyê, Exu do Mar
Abre as águas pra eu passar
Na tempestade eu vou navegar
Seu tridente risca o luar
Laroyê, dono da maré
No cais da vida ninguém fica em pé
Quem ouve o tambor do oceano chamar
Nunca mais consegue voltar
Tem fogo dentro da água
Tem segredo dentro do olhar
Tem corrente levando destino
Pra quem nasceu pra atravessar
Eu beijo a boca da noite
Na esquina do alto-mar
Meu corpo cheira maresia
E liberdade pra sonhar
Capitão não manda em vento
Nem correnteza no chão
Tem coisa que vem do fundo
Pra virar revolução
E quando o porto adormece
Eu ainda escuto cantar
As almas velhas das águas
Chamando Exu do Mar
Êêê…
O tambor bate no peito do mundo
Êêê…
Toda tristeza afundando fundo
Êêê…
Sal grosso, estrela e luar
Quem fecha os olhos consegue escutar…
Laroyê, Exu do Mar
Rei da espuma e do luar
Leva embora todo mal
Nas correntezas do astral
Laroyê, Exu do Mar
Faz meu destino navegar
No balanço da imensidão
Protege meu coração
Robson POETA