A lua me olhou com o olho da noite e alumia a cor das notas de açoite.
No couro do tambor, minha dor virou chão. No passo da dança, meu corpo fez oração.
A Bahia respirou dendê, candomblé e axé. Cada rua me chamou pelo nome da fé.
O mar lavou minha sombra, o vento abriu caminho. Onde havia abandono, nasceu canto passarinho.
Eu vi no rosto do povo um sol que não se deita. Mesmo ferido de tempo, sorri, canta e se ajeita.
A lua me olhou de novo, calada, alta e bonita. Disse: quem nasce de luta também nasce de escrita.
E eu escrevi com meu corpo, com minha voz, minha raiz: quem dança sobre a dor também pode ser feliz.
Robson POETA
POEMAS 2025