Nervoso é o rei que tá na barriga da fome.
É o homem acordando cedo com dívida maior que esperança. É a mãe dividindo comida pra nenhum filho dormir chorando.
A fome não chega fazendo barulho. Ela entra devagar, apagando sorriso, encurtando paciência e endurecendo olhar.
Quem nunca sentiu fome acha que nervoso é raiva.
Mas não. Nervoso mesmo é o estômago vazio conversando alto com a alma cansada.
É pegar ônibus lotado sem saber se o dinheiro volta. É trabalhar o dia inteiro e ainda faltar mistura em casa.
A barriga vazia transforma silêncio em explosão. Porque fome não machuca só o corpo.
Machuca dignidade.
O rei da fome não usa coroa de ouro. Usa olheira funda, preocupação antiga e coragem sobrevivendo no limite.
Mesmo assim, o povo continua andando. Continua lutando, cantando, sonhando.
Porque quem enfrenta a fome todos os dias aprende a fabricar força onde o mundo só deixou vazio.
Robson POETA
POEMAS 2025