Na curva escura da meia-noite, quando o vento assovia estranho e os cães começam a latir para o vazio, o lobisomem desperta.
Metade homem, metade maldição. Olhos queimando amarelo como brasas vivas no mato fechado.
Dizem que ele corre pelas ruas antigas, rasgando silêncio, espalhando medo em quem ousa andar sozinho.
Mas ninguém pergunta de onde nasceu a dor da criatura.
Talvez o monstro tenha sido apenas alguém machucado demais pelo mundo. Alguém que gritou por ajuda e ouviu apenas eco.
Toda fera já foi humana um dia.
O lobisomem carrega fome, mas também carrega tristeza. Porque viver preso entre dois mundos é nunca conseguir descansar.
Na lua cheia ele perde o nome, a razão e a paz.
Corre pelas florestas tentando fugir de si mesmo, enquanto a madrugada observa em silêncio assustado.
E quando o sol nasce, resta apenas um homem cansado, sujo de terra, sem lembrar direito de quantos medos espalhou pela noite.
Talvez existam muitos lobisomens caminhando entre nós.
Pessoas que sorriem de dia, mas lutam contra monstros dentro da própria alma quando escurece.
Robson POETA
POEMAS 2025