Devagar… é a rua que você acha que vê, mas nunca percebeu de verdade.
É a senhora na janela esperando alguém voltar. É o cachorro dormindo na calçada como se o mundo ainda fosse tranquilo.
Devagar é o menino vendendo bala no sinal aprendendo cedo demais o peso da vida.
É o barulho distante do ônibus, o rádio antigo tocando saudade, a chuva descendo pelos fios como lágrimas da cidade.
A gente passa correndo e chama isso de viver. Mas a vida acontece mesmo nas coisas pequenas que quase ninguém olha.
Devagar é o amor esfriando sem discussão. É o abraço ficando curto. É a conversa virando silêncio sem ninguém perceber quando começou.
Também é esperança.
Uma planta nascendo no concreto rachado. Uma criança rindo alto mesmo sem ter quase nada.
Talvez enxergar devagar seja a única forma de realmente ver.
Porque quem corre demais atravessa o mundo inteiro… mas nunca encontra a própria alma.
Robson POETA
POEMAS 2025