Quando um corpo preto anda na rua, é ancestralidade desfilando sem tambor.
Tem reza escondida em cada passo firme, em cada “vai com Deus” que a mãe grita do portão.
Somos sobrevivência em tempo integral, milagre que o sistema tenta apagar todo santo dia.
Mas a gente insiste: ri alto, ama forte, dança muito. E quando o cansaço aperta, a gente fecha os olhos e lembra que veio de um povo que mesmo acorrentado inventou jeito de voar.
Nossa pele é altar, nosso nome é salmo, nossa existência é oração que deu certo.
Robson POETA
POEMAS 2025