Robson POETA
O sol ainda dorme, a rua já acordou Café ralo na caneca, o corpo que aguentou Mão calejada, olho vermelho de pó Mais de vinte e quatro horas, mas não cai, não só
Ô Bahia quente, suor no chão O relógio não perdoa, aperta o coração Tem filho esperando, tem conta pra pagar Cansaço bate forte, mas não pode parar
Quando a força some, ele chama da alma Respira fundo, firma o pé, mantém a calma
Quem pega de bicho é a gente Mesmo cansado, segue em frente Pega de bicho, bota quente Pra terminar e ir pro outro novamente
Ônibus lotado, obra, feira ou cais Uniforme sujo conta histórias reais Dói nas costas, dói na fé Mas a dignidade mantém de pé
Não é milagre, é sobrevivência É suor virando resistência
Quem pega de bicho é a gente Bota, bota Bota quente!
Robson POETA
POEMAS 2025