Negro rezando em árabe, livro na mão, coração em fogo. Noite da Bahia, lua testemunha do grito contido.
Eles não queriam o trono — queriam o direito de ser. Mas a liberdade tem cor de sangue quando o povo não se reconhece no espelho.
Os Malês lutaram com fé, com o corpo, com a alma, com a coragem que só tem quem já nasceu em algema.
Mas veio o outro negro, de olhar seco, de medo travado, com o bolso cheio de promessa e a alma vendida barata.
E o branco, que já sabia o jogo, sentou e esperou — porque a desunião do preto é o banquete do opressor.
Se tivessem marchado juntos, Bahia teria cor de aurora. Mas a liberdade foi pintada de vermelho.
E até hoje o vento da ladeira sussurra baixinho: “Malê, teu sangue não foi em vão, mas tua dor ainda ecoa em nós.”
Robson POETA
POEMAS 2025