Há um ponto no coração do mundo onde todos os nomes se encontram. Ali, Exu acende o caminho, e um anjo recolhe a mesma luz que ele espalha.
Zeus e Tupã dividem o trovão, Shiva dança no mesmo ritmo em que o vento dos Andes se levanta. O mar de Yemanjá é o mesmo que banha Poseidon, e no fundo dele, Anúbis e Oxalá bebem do mesmo silêncio.
Nenhum altar é dono do fogo. O fogo é dono de todos. Cada prece — em latim, iorubá, hebraico ou guarani — é apenas o eco de um mesmo sopro que o universo soltou ao nascer.
As estrelas não distinguem religião: brilham sobre todos os corpos com a mesma ternura antiga.
O amor é o mapa. Não tem direção, tem pulso. É bússola que aponta pra dentro, é fé sem bandeira, é Deus sem nome, é o milagre simples de continuar respirando mesmo quando o mundo se parte.
E quando o homem entender que o sagrado cabe no gesto, no abraço, na lágrima, no pão dividido, então o céu descerá de vez — não como reino, mas como casa.
Porque no fim de tudo, toda fé retorna à mesma origem: um coração batendo. E esse coração tem o mesmo som, em todas as línguas, em todos os deuses: Amor.
Robson POETA
POEMAS 2025