Capa de Poemas 2025POEMAS 2025067 · 2025

Funil do Sistema

A gente corre todo dia pra alimentar o sistema,

carvão jogado na fornalha desse mesmo problema.

O carvão que se coloca pra alimentar a saída

alimenta quem nunca precisou sentir a barriga vazia.

Sentir fome, sentir frio…

só sabe quem já passou por esse rio.

Quem não sentiu, não sabe dar valor

ao que se encontra aqui embaixo, no funil da dor.

Enquanto uns contam lucro, outros contam moedinha,

contam os ossos aparecendo debaixo da linha.

É corre atrás de corre, é suor virando trilho,

é sonho engavetado no peito de cada filho.

A gente corre, corre e o sistema só engole,

se alimenta da fome de quem nunca se escolhe.

Quem nunca sentiu não sabe o valor do que caiu,

nós é que sangra, lá no fundo desse funil.

Corre, corre e o sistema só sorri,

se enche daquilo que rouba daqui.

Quem nunca sentiu não sabe o peso do Brasil,

nós é que segura lá no fundo desse funil.

A cidade tá brilhando, mas não é pra nós,

a vitrine é bonita, mas a conta vem feroz.

No noticiário, eles fingem que é normal,

mas no ponto de ônibus eu vejo o fim do tal “igual”.

Mãe que reza pro gás durar até o fim do mês,

pai que dobra o turno e ainda escuta “talvez”.

E o que sobe pro topo é o suor que escorreu,

quem ergueu a estrutura nunca subiu, só valeu.

Se o frio corta a pele, a calçada é cobertor,

a rua é testemunha do descaso e da dor.

Mas quem decide o rumo nunca viu esse vazio,

nunca sentiu na pele a correnteza desse rio.

A gente corre, corre e o sistema só engole,

se alimenta da fome de quem nunca se escolhe.

Quem nunca sentiu não sabe o valor do que caiu,

nós é que sangra, lá no fundo desse funil.

Corre, corre e o sistema só sorri,

se enche daquilo que rouba daqui.

Quem nunca sentiu não sabe o peso do Brasil,

nós é que segura lá no fundo desse funil.

Monograma RPRobson POETA