[Refrão] Ô, Cortejo Afro, eu vou, saindo de Pirajá pro mundo ver quem sou. No Ilê Axé Oyá, meu canto vai girar, Mãe Santinha abençoou, ninguém pode apagar.
Ô, Cortejo Afro, eu vou, na pele, na trama, no pano a cor que voou. Alberto Pitta desenhou o meu axé, quando o bloco passa, é orixá de pé.
[Verso 1] Lá no alto de Pirajá, bate o tambor, é canto antigo, é reza que cura a dor. Na encruzilhada, ancestralidade abre caminho pra nossa negridade.
Do Ilê Axé Oyá vem o vento a falar, cheiro de folha e de mar, pedindo pra caminhar. Cada atabaque que toca é um orixá que acorda, é memória que a cidade nunca mais discorda.
[Pré-refrão] Quando a rua vira terreiro, Salvador se pinta inteira de chita e luz. No compasso do reggae, na gira do corpo, é o povo preto seguindo Exu que conduz.
[Refrão] Ô, Cortejo Afro, eu vou, saindo de Pirajá pro mundo ver quem sou. No Ilê Axé Oyá, meu canto vai girar, Mãe Santinha abençoou, ninguém pode apagar.
Ô, Cortejo Afro, eu vou, na pele, na trama, no pano a cor que voou. Alberto Pitta desenhou o meu axé, quando o bloco passa, é orixá de pé.
[Verso 2] Mãe Santinha, dona do meu caminhar, reza baixinho, sopra forte o seu Oxalá. No seu olhar, o futuro do nosso terreiro, cada criança um quilombo verdadeiro.
Pitta bordou no tecido o que a boca não diz, cor de pele, cor de luta, cor de país. E quando o bloco desce a Ladeira do Pelô, é quadro vivo, é aquarela de amor.
[Ponte] Desde noventa e oito o tambor anunciou: “quem nasce em Pirajá nunca mais andou só”. É o cortejo que atravessa gerações, faz do corpo bandeira, faz da rua canções.
Chão da Bahia, sal do suor, cada passada apagando a dor. Se a cidade esquecer quem sou, meu axé lembra com o som do agogô.
[Refrão] Ô, Cortejo Afro, eu vou, saindo de Pirajá pro mundo ver quem sou. No Ilê Axé Oyá, meu canto vai girar, Mãe Santinha abençoou, ninguém pode apagar.
Ô, Cortejo Afro, eu vou, na pele, na trama, no pano a cor que voou. Alberto Pitta desenhou o meu axé, quando o bloco passa, é orixá de pé.
[Coda / Final] Se eu danço na rua, quem dança é meu ilê, se eu canto no bloco, quem canta é você. Cortejo Afro é caminho pra se libertar, Pirajá é o ventre de onde eu vim pra sambar.
Robson POETA
POEMAS 2025