Código de rua, sem manual, só vivência, quem cola na quebrada aprende a ler a essência. Olho no olho, palavra é resistência, respeito é a lei, o resto é consequência.
Eu cresci vendo o asfalto ensinar matemática: soma dos corres, subtração de prática. Multiplica sonho, divide a tática, na prova da vida, a caneta é automática. Meu bairro escreve com giz no paralelepípedo, história que não cabe no quadro do perito. Aqui o salve vale mais que recibo, quem fala demais esquece o próprio princípio. Tio avisou: “malandragem é perceber o clima”, coração no compasso, mente que rima. Se a vida é vitrine, eu fujo do vitiligo, brilho com cicatriz, meu estilo é abrigo.
Código de rua, sem manual, só vivência, quem cola na quebrada aprende a ler a essência. Olho no olho, palavra é resistência, respeito é a lei, o resto é consequência.
Tem regra que é simples: não pisa nos sonho alheio, compartilha o pão, não calcula só teu meio. Fita dada, fita cumprida, sem rodeio, e se cair, levanta — firma o passo, segue o veio. Não confunde fama com caráter, isso é laço, tem inveja no abraço, tem verdade no cansaço. Minha firma é família, meu trampo é compasso, meu corre é chapisco que vira palácio. No poste, aviso de luz, nas viela, conselho, quem olha de cima não vê o espelho. A vida cobra juros, não paga trocado, por isso eu guardo afeto como ouro enterrado.
Se o vento muda, eu mudo a vela, não a rota, quem tem raiz não cai na primeira cota. No peito, fé; na mente, nota, código é simples: não se vende, não se esgota.
Código de rua, sem manual, só vivência, quem cola na quebrada aprende a ler a essência. Olho no olho, palavra é resistência, respeito é a lei, o resto é consequência.
Eu sou o ping da bala que nunca saiu, sou o plano do mano que não desistiu. Se a mesa é pequena, eu trago um banquinho, se a chance é mínima, eu viro caminho. Score no peito, estatística falha, troco a estatística por medalha. Quem disse que a rua só cria canalha? Cria poeta, cria engenho, cria batalha.
Se a placa diz “pare”, eu olho pros dois lados, mas sigo com calma, passos calculados. Porque o código ensina: no fio da navalha, quem guarda amor, vence a batalha.
Robson POETA
POEMAS 2025