Favela
10/02/2021
Aponte seu dedo para o infinito e olhe dentro do seu umbigo e veja o quanto a dor é forte!!! No mundo da escuridão o que te consome é o outro homem.
Aqui na favela quem manda é quem tem fome! Não queria essa voz, mas o sistema me molda, me crucifica e me faz ser um ser algoz.
O vento me dissipa e me leva pra uma sensação de paz, no meio de tantos tiros, me sinto um Deus! Me sinto um rei com meu revólver cheio de balas!
Não queria da um tiro em sua cara. O sistema me faz ser essa rajada. Tiro de sangue no meio do nada. Tiro de dor não é um contos de fadas!
Aqui na quebrada a educação chega barata, a saúde nem se quer passa... ser um cidadão de bem, pra quem!? Mas o nosso voto conta pra qualquer politico de estrada! A minha voz só tem fala aqui. Ser do bem, buscar a quem!? No meio do nada, só resta a raiva!
O nosso parque de diversões vem de dentro de casa. Quando a mãe chora calada, pedindo a Deus proteção para mais um dia viver bem! Quantas risadas vem de quem não sabe de nada. É cruel esconder a origem por medo. É cruel servir a quem nunca te viu crescer!
Na favela a sina é sobreviver!
No meio de tantas piadas, a cor da pele ainda é boicotada! Não somos coitados!
A favela é o nosso espaço! Vocês, homens de ternos, nos encapuzaram, tiraram de nós o livro, o endereço, a origem, nos castigaram... Só que vocês esqueceram que esses olhos nunca se fecharam e o revólver sai bala de atitude. Não pense que vocês estão por cima da carne seca. Aqui na favela o meu suor vale mais do que o seu caráter! Tenha certeza!
Robson POETA