Toda manhã atravessava ruas
carregando envelopes e céu.
Nas costas levava correspondências.
Nos olhos, um horizonte fiel.
Entregava contas, convites,
saudades dobradas em papel.
E às vezes uma notícia boa
capaz de iluminar um quintal.
Pouca gente percebia,
mas ele distribuía destinos.
Como um vento discreto
organizando caminhos.
Robson POETA