As avenidas dobravam-se
como páginas mal guardadas.
Os ônibus carregavam capítulos.
Os semáforos corrigiam frases.
Em cada esquina,
um trabalhador empurrava o dia
como quem move um piano
por uma escadaria infinita.
E a noite,
professora silenciosa,
recolhia os erros da cidade
para transformá-los em estrelas.
Robson POETA