POEMAS 2014005 · 2014

Cidade de Papel

As avenidas dobravam-se

como páginas mal guardadas.

Os ônibus carregavam capítulos.

Os semáforos corrigiam frases.

Em cada esquina,

um trabalhador empurrava o dia

como quem move um piano

por uma escadaria infinita.

E a noite,

professora silenciosa,

recolhia os erros da cidade

para transformá-los em estrelas.

Monograma RPRobson POETA