A manhã acordou dentro da cozinha.
O café subiu pelas paredes
como uma planta procurando céu.
Na mesa,
uma xícara vazia
esperava alguém voltar de um sonho.
A cidade passava na janela
vestida de buzinas e compromissos.
Mas o pão ainda guardava
o calor de um pequeno sol.
E havia paz
escondida entre migalhas.
Lá fora,
o mundo corria atrás do relógio.
Aqui dentro,
o vapor do café desenhava pássaros
que só os distraídos conseguiam ver.
Robson POETA