POEMAS 2014002 · 2014

O Barulho das Xícaras

A manhã acordou dentro da cozinha.

O café subiu pelas paredes

como uma planta procurando céu.

Na mesa,

uma xícara vazia

esperava alguém voltar de um sonho.

A cidade passava na janela

vestida de buzinas e compromissos.

Mas o pão ainda guardava

o calor de um pequeno sol.

E havia paz

escondida entre migalhas.

Lá fora,

o mundo corria atrás do relógio.

Aqui dentro,

o vapor do café desenhava pássaros

que só os distraídos conseguiam ver.

Monograma RPRobson POETA