Antes das buzinas, antes da correria, existe um instante raro que pertence à poesia. As ruas ainda bocejam. Os pássaros assumem o comando. E o sol prepara silenciosamente o espetáculo chegando. Nesse breve intervalo, o mundo parece recomeçar. Como se recebesse novamente a oportunidade de tentar. E talvez receba mesmo. A Carta Nunca Enviada Permaneceu dobrada por anos no fundo da gaveta escura. Guardando palavras antigas e uma delicada ternura. A tinta perdeu intensidade. O papel ganhou marcas do tempo. Mas os sentimentos ficaram protegidos do esquecimento. Nem toda mensagem precisa alcançar seu destino. Algumas existem apenas para iluminar o caminho. Há despedidas que moram no silêncio.
Robson POETA