Toda manhã armava o toldo antes da cidade despertar. Conhecia o peso das frutas e a pressa de quem vai passar. As bananas amadureciam lentas. As melancias guardavam verão. E ele organizava cores como quem compõe uma canção. Havia trabalho em suas mãos. Havia poesia também. Porque alimentar alguém é uma arte que vai além. O dia começava ali, entre caixas e esperança.
Robson POETA