POEMAS 2013051 · 2013

A Feira Depois da Chuva

O chão brilhava molhado como um espelho quebrado. As barracas recomeçavam o que o temporal havia interrompido. O cheiro de frutas maduras misturava-se ao da terra. E a manhã reconstruía o que a noite encerra. Havia vida em cada banca, em cada conversa trocada. Porque o cotidiano também sabe ressuscitar madrugadas. A esperança tem hábito de chegar junto com o sol. O Relógio da Estação O relógio observava tudo sem nunca sair do lugar. Via chegadas ansiosas, despedidas pelo ar. Sabia o peso dos abraços e o tamanho das ausências. Guardava em seus ponteiros milhares de existências. Alguns corriam atrás dele. Outros tentavam esquecê-lo. Mas o tempo continuava costurando o mesmo novelo. Há viagens que começam antes mesmo de partir.

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