A lua penteava telhados com seus dedos de prata fria. As ruas guardavam segredos que o silêncio não dizia. Um cachorro observava tudo deitado perto da esquina. Conhecia os passos da pressa, o cheiro da gasolina. Longe, uma sirene cortou o tecido escuro do ar. As estrelas ficaram imóveis, sem saber para onde olhar. Mas o cão continuou firme, como quem protege um jardim. Há guardiões sem medalhas vigiando o mundo assim.
Robson POETA