POEMAS 2013017 · 2013

As Moedas da Manhã

A feira acordou primeiro que os relógios da cidade. O cheiro do coentro dançava sobre a fumaça da verdade. Uma mulher contava moedas como quem escolhe sementes. Nos bolsos carregava invernos, nos olhos carregava nascentes. O vendedor sorria baixo, escondendo cansaços antigos. Há quem negocie verduras, há quem negocie consigo. Quando o sol abriu a barraca, o mundo pareceu caber dentro de uma sacola simples cheia de vontade de viver.

Monograma RPRobson POETA