A feira acordou primeiro que os relógios da cidade. O cheiro do coentro dançava sobre a fumaça da verdade. Uma mulher contava moedas como quem escolhe sementes. Nos bolsos carregava invernos, nos olhos carregava nascentes. O vendedor sorria baixo, escondendo cansaços antigos. Há quem negocie verduras, há quem negocie consigo. Quando o sol abriu a barraca, o mundo pareceu caber dentro de uma sacola simples cheia de vontade de viver.
Robson POETA