Capa de Poemas 2003POEMAS 2003029 · 2003

Expresso dos vampiros Mas nem sequer percebiam que eram a

refeição

No alto de uma montanha havia um Estavam absortos na vida!

castelo;

castelo negro e assombroso O casal começou a andar pelos vagões do

Abaixo do castelo, a trilha do trem. trem

Porém sem ver o trem! Em cada lote que passavam

Se empanturravam

Era noite de lua cheia e tudo estava Se embebedavam de sangue!

alvoraçado

Eles tinham sede e obsessão por sangue E os donzelos nem aí

O trem, totalmente invisível Estavam confiantes que iam chegar em

Carregava donzelos e donzelas casa.

vermelhinhas! Mas eles se alucinavam

Estavam viciados em roubar sangue dos

O trem era todo divido por lotes. pescoços virgens!

Parecia-me que este trem não viajava para

lugar nenhum Os donzelos iam se transformando

Apenas se movia sem sair do lugar também

E ninguém dava-se conta! E a cada transformação o desejo

aumentava

Os lotes estavam carregados de pescoços A lua os chamavam para uivar como os

virgens lobos

E apenas em um lote particular Os seus pescoços lhes ofereciam a vida

Estava mulher e marido sem vida e sem eterna

sangue

Obcecado por sangue alheio! Eles não lutavam, não se indignavam, não

faziam nada

Eles ainda dormiam, era cedo demais Os vampiros iam tomando os lotes do

Os donzelos nem sequer percebiam trem

Que estavam pronto para doarem seu Se criando, se fecundando e se

sangue embebedando

Eram inúteis! Em sangue dos otários!

Logo o tempo passou, Os vampiros claro, chuparam todos,

O trem nem sequer chegou à estação beberam todos

Eles acordaram famintos e com sede; E eles os transformaram em seus

Era a hora do café! comparsas

Logo foi-se o mundo, o expresso era

Todos estavam exausto com a viagem pouco, já estava tomado

Reclamavam, se aborreciam, tiravam de E o povo calaram-se, não faziam nada,

tempo nem sequer indignavam-se!

Monograma RPRobson POETA