Os meus olhos paralisam
No infinito do horizonte
E as areias modificam-se
No piscar da neblina
A natureza encolhe-se
No vulto da bruma
E o universo forma-se
Numa bola de gude.
Os meus olhos vêem toda face
De todos os ângulos
E minha pele que era de ébano
Fica sem cor
O meu corpo fica despido
Sem notar
Como duma flor!
O deserto dirige-se
Em quatro paredes
Dentro do mundo
E o piano perde as notas,
Mas continua afinado
Perante as escadas da vida
O desejo torna-se palavras
E palavras, alcance!
O palco torna-se cenário da alma
Como no fundo do mar
Os olhos fundem-se com várias vidas
Como no deserto destelhado!
Robson POETA
POEMAS 2003