Capa de Poemas 2000POEMAS 2000179 · 2000

Os Tupinambás

Ontem eu era pequeno

O longe era distante

E o perto era constante

O horizonte era imenso

E eu era um ponto em sua volta

Com a minha jangada remava

Até encontrar uma forma.

Ventos que me guiavam

Tempestade que me enfureciam

Sol que me acalmava

Até chegar onde queria

Ao longe não entendia

O que era aquilo

O que era ali

Só sei que me prenderam

Até falar de mim

Mas não me entenderam

E nem me explicaram

O que eu ia fazer aqui

Me trataram como um rei

Me deram cinturão

Até pensei que era o valentão!

Me deram comidas

Me trataram como irmão

Cheguei até me render

No final de tudo,

Eles queriam me comer!!

Palavra d’um poeta

No dia que minhas palavras

Não forem para todos

Paro de escrever!

No dia que não entenderem

Meus Pensamentos

Como se fossem os seus

É porque vou morrer!

Palavras nuas

Voltado numa lua

Observando suas palavras nuas

Como poesia

Em forma de ar

“Eu não moro mais em mim”

Perco tudo

Mas acho as areias do mar

E sinto o gosto do beijo

Sem demorar

Estou há milhares de anos

Milhares de vidas

Milhares de gentes

Do que será que não gosto?

De poemas?

De versos?

Ou do inferno?

Gosto dos teus lábios

Que tem gosto de vontade

Que me seca de desejo

Que me faz delirar

“Como esse rosto

Que eu gosto

Que é só meu”

Quando Deus te deu

Esse dom das dores

Das tristezas, das alegrias

Da firmeza e da poesia

Monograma RPRobson POETA