No alto de uma montanha havia um castelo;
castelo negro e assombroso
Abaixo do castelo, a trilha do trem.
Porém sem ver o trem!
Era noite de lua cheia e tudo estava alvoraçado
Eles tinham sede e obsessão por sangue
O trem, totalmente invisível
Carregava donzelos e donzelas vermelhinhas!
O trem era todo divido por lotes.
Parecia-me que este trem não viajava para lugar nenhum
Apenas se movia sem sair do lugar
E ninguém se dava conta!
Os lotes estavam carregados de pescoços virgens
E apenas em um lote particular
Estava mulher e marido sem vida e sem sangue
Obcecado por sangue alheio!
Eles ainda dormiam, era cedo demais
Os donzelos nem sequer percebiam
Que estavam prontos para doarem seu sangue
Eram inúteis!
Logo o tempo passou,
O trem nem sequer chegou à estação
Eles acordaram famintos e com sede;
Era a hora do café!
Todos estavam exaustos com a viagem
Reclamavam, se aborreciam, tiravam de tempo
Mas nem sequer percebiam que eram a refeição
Estavam absortos na vida!
O casal começou a andar pelos vagões do trem
Em cada lote que passavam
Se empanturravam
Se embebedavam de sangue!
E os donzelos nem aí
Estavam confiantes que iam chegar em casa.
Mas eles se alucinavam
Estavam viciados em roubar sangue dos pescoços virgens!
Os donzelos iam se transformando também
E a cada transformação o desejo aumentava
A lua os chamava para uivar como os lobos
Os seus pescoços lhes ofereciam a vida eterna
Eles não lutavam, não se indignavam, não faziam nada
Os vampiros iam tomando os lotes do trem
Se criando, se fecundando e se embebedando
Em sangue dos otários!
Os vampiros, claro, chuparam todos, beberam todos
E eles os transformaram em seus comparsas
Logo foi-se o mundo, o expresso era pouco, já estava tomado
E o povo calaram-se, não faziam nada, nem sequer indignavam-se!
Robson POETA
POEMAS 2000