Capa de Poemas 2000POEMAS 2000161 · 2000

Expresso dos vampiros

No alto de uma montanha havia um castelo;

castelo negro e assombroso

Abaixo do castelo, a trilha do trem.

Porém sem ver o trem!

Era noite de lua cheia e tudo estava alvoraçado

Eles tinham sede e obsessão por sangue

O trem, totalmente invisível

Carregava donzelos e donzelas vermelhinhas!

O trem era todo divido por lotes.

Parecia-me que este trem não viajava para lugar nenhum

Apenas se movia sem sair do lugar

E ninguém se dava conta!

Os lotes estavam carregados de pescoços virgens

E apenas em um lote particular

Estava mulher e marido sem vida e sem sangue

Obcecado por sangue alheio!

Eles ainda dormiam, era cedo demais

Os donzelos nem sequer percebiam

Que estavam prontos para doarem seu sangue

Eram inúteis!

Logo o tempo passou,

O trem nem sequer chegou à estação

Eles acordaram famintos e com sede;

Era a hora do café!

Todos estavam exaustos com a viagem

Reclamavam, se aborreciam, tiravam de tempo

Mas nem sequer percebiam que eram a refeição

Estavam absortos na vida!

O casal começou a andar pelos vagões do trem

Em cada lote que passavam

Se empanturravam

Se embebedavam de sangue!

E os donzelos nem aí

Estavam confiantes que iam chegar em casa.

Mas eles se alucinavam

Estavam viciados em roubar sangue dos pescoços virgens!

Os donzelos iam se transformando também

E a cada transformação o desejo aumentava

A lua os chamava para uivar como os lobos

Os seus pescoços lhes ofereciam a vida eterna

Eles não lutavam, não se indignavam, não faziam nada

Os vampiros iam tomando os lotes do trem

Se criando, se fecundando e se embebedando

Em sangue dos otários!

Os vampiros, claro, chuparam todos, beberam todos

E eles os transformaram em seus comparsas

Logo foi-se o mundo, o expresso era pouco, já estava tomado

E o povo calaram-se, não faziam nada, nem sequer indignavam-se!

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